Sunday, September 17, 2017

AS BOAZUDAS DOS ANOS DE OURO DO CINEMA BRASILEIRO #35: TÂNIA ALVES

por Chico Marques


Carioca de Copacabana, nascida em uma família de classe média alta, Tânia Alves sempre demonstrou ter múltiplos talentos.

Com apenas 10 anos, já tocava acordeom e violão, e queria ser bailarina. Como o pai trabalhava em uma empresa alemã, foi estudar no Instituto Cultural Brasil Alemanha, onde teve aulas de canto lírico e música barroca, e participou do coral, onde cantava Liszt, Schumann, Häendel e Bach. Aos 15 anos já cantava no Grupo Musicantata, e conheceu na Universidade Federal Fluminense os atores Imara Reis e Tonico Pereira, com quem trabalharia a partir de 1973 nos espetáculos teatrais de Luiz Mendonça. Convenhamos: não é pouca coisa para uma menina dessa idade.

Em 1976, Tânia Alves teve suas primeiras chances na TV e no Cinema. Fez “Morte e Vida Severina”, com direção de Zelito Viana, e participou de "Emanuelle Tropical", de J. Marreco. Sua primeira boa oportunidade no cinema veio com "Cabaret Mineiro” (1980), ótimo filme de Carlos Alberto Prates Correia. Por sua atuação, ganhou o Kikito de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante em Gramado em  1981. Um ano depois, viveu a prostituta Penélope no filme cult “O Olho Mágico do Amor”, de José Antônio Garcia e Ícaro Martins, ganhando o Prêmio de Melhor Atriz da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).

1983 trouxe Tânia Alves em nada mais que três filmes marcantes. Interpretou a poeta feminista Anayde Beiriz em “Parahyba Mulher Macho”, de Tizuka Yamazaki, que lhe rendeu prêmios no Festival de Cartagena (Colômbia) e no Festival Internacional Novo Cinema Latino-Americano de Havana (Cuba). Interpretou yambém Paloma, a partner do mágico Don Velásquez (Nelson Xavier), em "O Mágico e o Delegado", de Fernando Coni Campos. E, em seguida, voltou a trabalhar com José Antônio Garcia e Ícaro Martins no estranho experimento pop-futebolístico “Onda Nova”, novamente ao lado de Carla Camuratti.

Daí em diante, Tânia Alves começou a ser muito requisitada pela TV Globo para os elencos de suas novelas. Por conta disso, deixou o cinema e o teatro um pouco de lado. Mas achou uma maneira de compensar isso apostando mais em sua carreira musical, até se firmar como uma intérprete de respeito. Seu melhor filme desta fase é, com certeza, 'A Hora Mágica' (1998), de Guilherme de Almeida Prado, adaptação de um conto de Julio Cortázar ambientado no Brasil dos Anos 50, sobre os primórdios do Rádio, do Cinema e da TV. Tânia interpreta Lilia Cantarelli, uma cantora da Era do Rádio, e brilha em vários números musicais. 

Da virada do Século para cá, ela passou a trabalhar cada vez menos como atriz e virou empresária. Hoje é dona de um spa em Nova Friburgo, e gerencia sua carreira e a carreira da filha (também atriz e cantora) Gabriela Alves. Em 2002, depois de uma década afastada do teatro, participou do espetáculo "E aí, Isadora?", sob a direção de Bibi Ferreira, e recentemente fez o espetáculo musical "Palavra de Mulher" ao lado de Lucinha Lins e Virgínia Rosa.

Aos 64 anos recém-completados no último dia 12 de Setembro, Tânia Alves continua se apresentando por todo o Brasil, fazendo shows temáticos com repertório de boleros, de forrós ou de canções da Era Clássica do Rádio Carioca.














"Eu sou mestiça de negros, índios, portugueses, holandeses e judeus, imagina só. E o Brasil é isso. Um caldeirão, uma mistureba. Eu sou carioca. Minha mãe é carioca e meu pai era pernambucano. Mas não foi com ele que eu conheci os modos, comportamentos e costumes nordestinos. Foi com o diretor Luís Mendonça. Eu fiquei seis anos no “Grupo Chegança”. Por ali passaram Elba Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Walter Breda, Tonico Pereira, Joel Barcelos, Madame Satã... Era um grupo muito louco que fazia musicais brasileiros. Minha escola é essa e, de todas as vinte e poucas peças que eu fiz, só duas ou três não foram musicais."

"Eu viajei muito mambembeando com o Luís Mendonça pelo Brasil inteiro. Então eu guardo um arquivo muito grande de sotaques. Não é à toa que me chamavam na televisão pra fazer personagens nordestinos, porque os diretores iam assistir as peças de teatro e pegavam nos palcos os atores pra fazer televisão. E eles viram como eu tinha um arquivo grande de comportamentos, de costumes e de sotaques de cada estado. Porque no nordeste não fala todo mundo igual, cada estado fala diferente. Eu acho que o grande barato do ator é fingir, é ser algo completamente diferente do que ele é, então quanto mais diferente de mim, mais eu gosto. É sempre um desafio. Não gosto muito de rótulos que me prendam. De qualquer forma, essa brasilidade é uma marca registrada, mas eu gosto da liberdade de poder mudar, de experimentar."

"Meu sonho é fazer uma novela do Gilberto Braga, totalmente urbana, uma mulher sofisticada. Eu tenho esse lado. Eu não vim de pau-de-arara do nordeste, como muita gente pensa [risos]. Não é assim a minha história. Eu gosto de fazer coisas sempre bem diferentes. Eu estava fazendo “Os Monólogos da Vagina”, do Miguel Falabella, que é bem internacional, bem legal. Adoro fazer Tieta, que é baiana, é musical, é brasileira. E o baiano é muito especial! Ele tem umas características muito próprias que eu adoro. Adoro a Bahia. Meus avós por parte de mãe eram baianos. Eu vou sempre pra lá."

"Fiz Playboy quando o ensaio era ingênuo. Não era este exame ginecológico dos ensaios de hoje em dia, e que na minha opinião não são atraentes. Prefiro algo mais sutil e verdadeiramente sensual. Eu até posaria de novo, se recebesse uma proposta inovadora, sem exame ginecológico"

leia a biografia
de Tânia Alves
publicada pela
Imprensa Oficial
do Estado de São Paulo
clicando AQUI 









TV
1981 Morte e Vida Severina
1982 Estúdio A... Gildo
1982 Lampião e Maria Bonita
1983 Bandidos da Falange
1985 Tenda dos Milagres
1985 Ti Ti Ti
1990 Pantanal
1992 Pedra sobre Pedra
1993 Você Decide (ep: Chofer de Táxi)
1995 Tocaia Grande
1997 Mandacaru
1998 Brida
2000 Marcas da Paixão
2001 A Grande Família (ep: A Desquitada da Freguesia)
2001 O Clone
2005 Essas Mulheres
2007 Amazônia, de Galvez a Chico Mendes
2010 Araguaia
2011 Laços de Sangue





CINEMA
1976 Trem Fantasma
1977 Morte e Vida Severina
1977 Emanuelle Tropical
1979 Bachianas Brasileiras: Meu Nome É Villa-Lobos
1979 Loucuras, o Bumbum de Ouro
1981 O Olho Mágico do Amor
1982 Cabaret Mineiro
1983 Onda Nova
1983 O Cangaceiro Trapalhão
1983 Parahyba Mulher Macho
1983 O Mágico e o Delegado
1984 Sole nudo
1985 Ópera do Malandro
1990 Lambada
1991 A República dos Anjos
1998 A Hora Mágica


DE TODOS OS FILMES DE QUE
TÂNIA ALVES PARTICIPOU,
"A HORA MÁGICA" É UM DOS MELHORES
E MENOS CONHECIDOS.
APESAR DELA SER COADJUVANTE,
SUAS CENAS SÃO DESLUMBRANTES
E SUA PERFORMANCE DE PRIMEIRA LINHA.

DIVIRTAM-SE...




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